Sábado, 18 de Fevereiro de 2012

TERRAS D'ALTER ( Parte III )




Muitas são as vezes, que a vontade e o gosto não imperam, responsabilidades maiores se levantam e o tempo, este, marca-nos o compasso e dita-nos as regras. Por agora findo mais este interregno, esta ausência de escrita. O tempo este voltou a ser para se falar de vinho. 

Com estes Premium's, Telhas-2008 e Outeiro-2009, encerro o ciclo de apresentações dos vinhos de Terra de Alter CV aqui no Lugar de Baco.

Em jeito de balanço, poderei aludir que de uma forma geral estes foram vinhos que me agradaram, e aos quais lhes reconheço um denominador comum, a sua boa relação qualidade/preço. No entanto não posso deixar de realçar aquele que claramente me surpreendeu, o Outeiro-2009, extraordinário. 
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Telhas - 2008


Castas: Syrah (94%) e Viognier (6%)
Tipo: Tinto
Álcool: 14,5%







    

 Um vinho elaborado a partir de uvas provenientes da Herdade das Antas, cuja a fermentação inicia em pequenos reservatórios abertos com manta submersa e vem a concluir em barricas novas de carvalho americano acompanhado de battonage, seguido da fermentação maloláctica e um estágio de 18 meses.

Apesar de achar que esta transcrição pode não ter grande interesse para a maioria, achei por bem, e neste caso em particular, evidenciar o processo de vinificação a que este vinho esteve sujeito.

  
Notas de Prova:

Telhas - 2008 é um vinho bastante interessante, mas acho que diferentes notas tostadas, surgem aqui com um leve excesso de protagonismo. Reforço que esta é apenas a minha opinião. Aliás este é um vinho muito bem conceituado por alguns críticos igualmente conceituados, mas para o bem e para o mal a variável subjectividade também marca presença nas provas. 
  
Aspecto rubi carregado e profundo. Aroma intenso, com notas a pimenta, amora e groselha preta, alguma violeta e notas a barrica que sobressaem envolvidas por um leve mentolado. Paladar igualmente intenso marcado por diferentes  registos a tosta, cacau, especiarias e alguma fruta bem madura. Boa estrutura,  taninos suaves, termina fresco e longo.

Em suma um vinho de singularidades, que não deixa espaço para meios termos, ou se gosta ou não. Vale a pena conhecer, com as devidas recomendas de uma temperatura adequada e algum tempo de arejamento.   
  






Nota Pessoal: 16,5 
Preço: €18,50 (Ref.)  
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Outeiro - 2009


Castas:  Syrah (50%), Petit Verdot (47%) e Afrocheiro (3%)
Tipo: Tinto
Álcool: 14,5%









Um vinho elaborado a partir de uvas provenientes da Herdade da Boa Vista, Com um processo de vinificação muito semelhança ao do Telhas - 2008, unicamente, aqui o estágio em barrica foi ligeiramente encurtado para 14 meses.

É correctamente referenciado como uma boa montra do potencial dos vinhos Terras de Alter CV, eu pessoalmente diria mais,  uma boa montra do potencial dos vinhos modernos Alentejanos e Portugueses.


Notas de Prova:

Um vinho com muito boa estrutura, correcção e elegância, sem  desequilíbrios, uma bomba de fruta, os meses de estágio em barrica estão presentes mas em boa proporção. Um vinho apesar de tudo ainda jovem, penso que poderá evoluir ainda um pouco mais. Um grande vinho que não deixa ninguém indiferente.
  
Aspecto rubi, praticamente opaco. Aroma intenso marcado por excelentes notas frutos silvestres, algo especiado e balsâmico, envolvido por um tostado bastante bem integrado. Paladar exuberante, uma bomba de boa fruta de baga, com toque especiado e uma barrica muito boa e bem casada, conjunto complexo e elegante, num corpo volumoso e com uma boa dose de taninos bastante finos, final muito longo e persistente.   

Sem me crer repetir em consecutivos elogios, digo-vos que este foi um dos vinhos, que ultimamente, muito prazer me deu em bebe-lo, sem duvida alguma uma excelente aposta. É um vinho que o voltarei a provar ainda em 2012, para tirar a duvida se não seria o 18 a nota mais indicada.






Nota Pessoal: 17,5
Preço: €22,0 (Ref.)  
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Sábado, 31 de Dezembro de 2011

TERRAS D'ALTER ( Parte II )





Nota Introdutória:

Dois blend's, um colheita e um reserva, vinhos elaborados pela mão experiente de Peter Bright, partir de castas muito distintas.

Ambos repousaram em madeira por uns bons meses, vinhos que apesar do fio condutor que os une, são vinhos bastante distintos.

Um colheita despretensioso mas a quem lhe foi conferida alguma atenção, um vinho feito para a mesa, a contrapor com um reserva mais elegante e elaborado e do qual não terei muitas duvidas em afirmar que irá agradar a muita gente. A relação preço/qualidade deste vinho é sem duvida correcta. Um vinho que me agradou bastante e o qual recomendo vivamente.


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Terra d'Alter - 2009


Castas: Touriga Nacional, Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouschet 
Tipo: Tinto
Ano: 2009
Álcool: 13,5%








Notas de Prova:

Um vinho entrada de gama, sujeito a alguns cuidados quer na vinificação quer nos 6 meses que permaneceu nas barricas de carvalho francês onde estagiou.

Como já referi estamos perante um vinho despretensioso, fácil, arriscaria a dizer para o dia a dia, como tal está bastante bem.     

Aspecto  rubi com laivos violáceos e rebordo esbatido, levemente profundo e intenso. 

Aroma notas a fruta bem madura, algo adocicado e levemente especiado.

Paladar predominantemente frutado, num conjunto algo cheio e redondo,  taninos suaves, macio e com um leve traço de rusticidade que não lhe tira a graça.  






Nota Pessoal: 15,5
Preço: €4,50 (Ref.)  
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Terra d'Alter  Reserva - 2009


Castas: Vinhas velhas, Afrocheiro,Syrah e Petit Verdot
Tipo: Tinto
Ano: 2009
Álcool: 14,5%








Notas de Prova:

Um vinho que realmente se destacou dos demais, bem estruturado boa correcção e alguma elegância, sem exageros e desequilíbrios, os 18 meses de estágio em barrica estão patentes mas em boa proporção. Um vinho apesar de tudo ainda jovem, penso que poderá evoluir ainda um pouco mais.

Aspecto  rubi profundo com rebordo levemente violácio. 

Aroma intenso, onde predominam notas frutos vermelhos maduros, um tostado bastante bem integrado envolvido por leves notas especiadas.

Paladar intenso e vivo onde predominam as notas frutadas, a tosta, especiarias, num conjunto encorpado e onde bons taninos sem arestas marcam o compasso, termina fresco e longo.  






Nota Pessoal: 16,5
Preço: €8,0 (Ref.)  
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Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2011

TERRAS D'ALTER ( Parte I )





Nota Introdutória:

Durante o Wine in Azores 2011, para além de rever e conversar com amigos  e conhecidos, aproveitei para efectuar novos contactos, trocar opiniões com  produtores e enólogos, que ainda não conhecia pessoalmente, momentos relevantes e indispensáveis para melhor se compreender  os projectos as ideias, enfim! O que está para além de um vinho.

Entre estes novos contactos  tive o privilegio de conversar com o responsável da casa Terras de Alter, Rui Borges e com a sua esposa Rosarinho Sommer, como resultado desta interessante conversa, foram-me enviadas algumas amostras, para que fora da agitação normal de uma mostra de  vinhos tece-se a mina opinião e a compartilha-se aqui no Lugar de Baco.


Este projecto Terras d’Alter Companhia de Vinhos (aqui), nasce de uma parceria entre a Sociedade Agrícola das Antas, a Sociedade Agrícola do Monte Barrão, duas empresas com grande tradição agrícola na região de Portalegre e o enólogo australiano Peter Bright,a viver em Portugal desde 1982.

A Terras d'Alter, utiliza uvas produzidas pelos seus sócios, na região de Alter do Chão e Fronteira, embora em alguns casos recorra a outros produtores do Alto Alentejo, conforme as suas necessidades específicas.

Nesta Parte I da publicação, dos vinhos Terra d'Alter,  irei apresentar Touriga Nacional - Cabernet Souvignon-2009, Aragonez-2009 e Alicante Bouschet-2008, Três tintos alentejanos com perfil claramente novo mundo, feitos para agradar.


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Terra d'Alter TN . CS - 2009
  

Castas: Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon
Tipo: Tinto
Ano: 2009
Álcool: 13,5%








Notas de Prova:

Um vinho de 50% TN e 50% CS, estagiou em carvalho Francês entre  6 a 9 meses.   De facto denota-se a evidencia olfactiva da Touriga Nacional, enquanto no paladar a evidencia recai sobre a casta Cabernet Sauvignon. Um vinho correcto e  moderno feito para ser bebido e apreciado desde logo. 

Aspecto  rubi com rebordo violáceo, levemente  profundo e viscoso.

Aroma ligeiramente intenso, onde predominam notas florais, alguma violeta característica da TN, fruta vermelha e negra madura, e onde discretas notas a tosta que lhe denunciam a passagem pelas barricas.

Paladar intenso algo vibrante, onde as notas frutadas se escondem por entre  evidencias vegetais, boas notas tosta e especiarias, acompanhado por um ligeiro amargor,  conjunto levemente encorpado, com taninos bem presentes mas sem arestas, termina longo e persistente.   





Nota Pessoal: 16,0
Preço: €8,00 (Ref.)

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Terra d'Alter  ARG - 2009


Castas: Aragonez (97%) e Viognier (3%)
Tipo: Tinto
Ano: 2009
Álcool: 14,5%









Notas de Prova:

Um vinho que segue a linha da modernidade, mostrando na sua essência as características da casta Aragonez,  escusado será dizer que não se dá pelos 3% de Viognier, apesar disto poderia em jeito de exercício tentar justificar o intuito da sua presença, mas não o farei, a explicação será mais apropriada ao enólogo. Está um vinho bastante correcto e de bom nível.     

Aspecto  rubi de média intensidade. 

Aroma algo intenso, onde predominam notas florais, frutos silvestre, ameixa, com nuances adocicadas temperadas por um tostado bastante bem integrado.

Paladar intenso, onde predominam as notas frutadas, alguma tosta, especiarias, num conjunto bem estruturado, algo encorpado, rico em taninos finos e arrumados, termina fresco e atractivo.  






Nota Pessoal: 16,0
Preço: €7,50 (Ref.)  
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Terra d'Alter  AB - 2008 
  

Castas: Alicante Bouschet 
Tipo: Tinto
Ano: 2008
Álcool: 14,5%









Notas de Prova:

Um vinho totalmente elaborado a partir da casta Alicante Bouschet, sem dúvida alguma a minha casta de eleição no Alentejo,  estagiou 14 meses em barricas novas de carvalho Francês. Um vinho que reflecte a pujança da casta, e necessidade de tempo para se mostrar. Apesar deste digno Alicante Bouschet poder desde já oferecer bastante prazer a quem o bebe, principalmente a acompanhar carnes com temperos fortes, não terei muitas duvidas em afirmar que mais um pouco de tempo em cave lhe trará algum beneficio.  

Aspecto  rubi bastante denso, praticamente opaco.

Aroma predominam notas fruta negra, tosta, café e um ligeiro especiado acompanhado breves notas balsâmicas . 

Paladar a confirmar as boas notas fruta preta,  embalado por leves notas a tosta, chocolate negro,  especiarias e algum vegetal, num  conjunto fresco e seco bem estruturadode corpo bem dimensionado e taninos vivos e generosos, termina levemente longo e persistente. 

Nota Pessoal: 16,0
 Preço: €7,50 (Ref.)

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Quinta-feira, 10 de Novembro de 2011

Quinta da Pedra Escrita - 2010



Região: Douro
Castas: Alvarinho, Rabigato, Verdelho e Viognier
Produtor: VDS
Enólogo: Rui Roboredo Madeira
Tipo: Branco
Ano: 2010
Álcool: 13,0%
  
Nota Introdutória:

Localizada em Freixo de Numão, no Douro Superior, a uma altitude média de 575 m, fica a Quinta da Pedra Escrita. Durante várias gerações pertenceu à família de Rui Roboredo Madeira, em 2007 é adquirida pela VDS, empresa da qual é sócio e enólogo.

Inicialmente plantam 12,5 hectares de castas brancas, Alvarinho, Rabigato, Verdelho e Viognier, por acreditarem que o granito dá origem a vinhos de extrema complexidade e de grande longevidade. Em 2011 preparam  o solo para plantar mais um hectare de Alvarinho e 3,5 hectares de castas tintas. Mais uma aposta, mais um novo e interessante projecto VDS (aqui).

Quinta da Pedra Escrita 2010, desde logo apercebemo-nos do cuidado despendido para com a apresentação deste vinho, não posso deixar de elogiar a preocupação com sua roupagem,  no fundo todos sabemos que a imagem também conta, nem que seja pelo simples facto de nos despertar a atenção para a sua existência.

No meu caso não foi bem assim, até porque não fui eu que dei pela sua existência mas sim ele pela minha, através de um amigo que fez a gentileza de me oferecer umas garrafitas.

Mas como a qualidade de um vinho afere-se na boca, e o meu comprometimento pelas razões acima aduzidas poderia de certa forma influenciar a minha opinião, optei por prová-lo em prova cega, irmanado com outros dois brancos  de bom nível.


Notas de Prova:

Desde logo apercebemo-nos  que estamos perante um vinho interessante e subtilmente desafiador, fresco e altivo, um vinho que apesar de ter fermentado e estagiado em barrica mantêm-se bastante seco e mineral. Em suma, um vinho incapaz de saturar, e pelo que tudo indica poderá vir a ter uma muito boa evolução em garrafa. Uma boa estreia! 

Aspecto amarelo palha com suaves laivos esverdeados, algo límpido e brilhante.

Aroma intenso, onde predominam as notas cítricas combinadas com leves matizes vegetais e uma envolvente e suave mineralidade que lhe confere graça e frescura.

Paladar marcado por uma intensa frescura e mineralidade, onde se destacam boas notas cítricas e algumas notas vegetais que se vêm a combinar com subtilíssimo fumado, conjunto bastante equilibrado e harmonioso, termina fresco e persistente.





Nota Pessoal: 16,5
Preço: €10,80 (Ref.)
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