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quinta-feira, novembro 05, 2026

La Rosa - Reserva 2020

         
La Rosa - Reserva 2020
 Tinto / 14,0% Alc.
Douro / Touriga Nacional (30%), Touriga Franca (30%) e mistura de vinhas velhas (40%)

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“Um presente de batismo que se revelaria determinante na história da família Bergqvist! Por conseguinte, na do vinho que aqui trago”

 

Como já anteriormente tive a oportunidade de referir, esta quinta, entra para a família dos seus atuais proprietários, em 1906, quando, Albert Feuerheerd, a adquire e a oferece a sua filha, Claire, como prenda de batismo. 
 
Na década de 1930, dificuldades econômicas assolaram os negócios da família, mas a Quinta de La Rosa permaneceu como património de Claire . 
Durante várias décadas, as uvas produzidas na quinta foram vendidas a grandes casas exportadoras de vinho do Porto, entre as quais a Croft e a Sandeman. 
 
Segundo consta, Claire Bergqvist manteve sempre uma relação muito particular com esta quinta, tendo mesmo nela vivido por largos períodos de tempo. Daí a afetuosa ligação que, Tim Bergqvist, seu filho, herdou ao Douro e em particular à sua Quinta de La Rosa. 
 
Em 1988 , sobre o comando de Tim e sua filha Sophia, esta quinta inicia um novo capítulo da sua história, começando a produzir o seu próprio vinho do Porto e em 1991, com a colaboração do enólogo David Baverstock, os seus primeiros vinhos tranquilos DOC Douro, utilizando apenas castas tradicionais da região. 
 
Mas seria a partir de 2002, com a contratação a tempo inteiro do enólogo Jorge Moreira, (Atualmente, um dos melhores enólogos deste País) que as coisas realmente viriam a subir de tom, quer ao nível dos vinhos do Porto quer ao nível dos vinhos tranquilos DOC Douro. 
 


( Quinta La Rosa - Douro )

 
Hoje, este projeto, dirigido por Sophia Bergqvist, com o contributo determinante do enólogo Jorge Moreira, dispõe de um portifólio vínico muito bem delineado, rico em qualidade e em diferentes expressões do Douro. Estes vinhos nascem dos 62 hectares de vinha da Quinta de La Rosa e dos 100 hectares da Quinta de Bandeiras, situada no Douro Superior, esta ultima adquirida pela família em 2005.
Este projeto conta ainda, com o surgimento, em 2012, na propriedade principal, de um Hotel com 23 quartos e mais alguns alojamentos associados. 


( Vinhedos da Quinta La Rosa )

 
Do seu portfolio, destaco aqui este La Rosa - Reserva 2020, um tinto com uma enorme identidade duriense, cuja as suas uvas provêm, essencialmente, das melhores parcelas da propriedade, nomeadamente das vinhas, Vale do Inferno e Vinha Grande. Uvas estas pisadas a pé em lagares de granito, posteriormente, transferidas para cubas de Inox, onde se deu a fermentação. Durante os 20 meses seguintes, estagiou, metade metade, em barricas novas e usadas de carvalho francês. 
 
A partir do ano desta colheita, 2020, este vinho deu lugar ao Grande Reserva. Inicialmente diferiam, apenas pelo facto do Grande Reserva não utilizar os 50% de barricas novas utilizadas no estágio do Reserva. O que de certa forma, lhe viria a conferir, um perfil com menos contributo aromática da madeira, um pouco mais de protagonismo da fruta e uma maior influencia da expressão das castas.
      
No copo, apresenta um tom rubi carregado, algo opaco. Aroma intenso, fresco com notas a frutos negros algo maduros, cereja preta, amora, mirtilos, subtilmente floral, com notas especiadas, um suave toque a chocolate negro e uma ligeira envolvência tostada. Na boca, mostra elegância e bom equilíbrio, confere a fruta negra do aroma, taninos polidos e uma cordata acidez,  termina  longo e persistente.

 

Estamos perante um belíssimo tinto de vincada identidade duriense, os seus seis anos de maturidade e a forma como se revelou na prova que efetuei, leva-me a considerar, que muito provavelmente se encontra próximo do seu auge. Um vinho com equilíbrio entre concentração, estrutura e suavidade com excelente pendor gastronômico. Um pairing perfeito para pratos de carnes vermelhas, pratos de forno ou outros pratos condimentados!

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       Not. 17,5
       Pvp: 38 € (Ref.) 

quarta-feira, agosto 05, 2026

El Enemigo Chenin 2021

 

 Branco / 12,5% Alc.
Chenin blanc
Argentina - Mendonza 


Oriundo da província de Valle de Uco, Mendoza, Argentina, eis este, El Enemigo Chenin 2021. Um belíssimo branco elaborado a partir da casta  Chenin blanc, não sendo propriamente uma casta comum na Argentina, a Chenin blanc, originária do Vale do Loire em França e com grande expressão em África do Sul,  como já aqui  referi, consegue em Mendonza uma belíssima expressão de frescura e elegância e mesmo alguma complexidade.

Quando falamos de Mendoza, estamos seguramente a falar de uma das regiões vitivinícolas mais importantes do novo mundo. Estendida na encosta oriental aos pés da cordilheira dos Andes, Mendoza, comporta cerca de 76% do total de vinhedos do País, plantados entre 500 e 1 700 metros de altitude, bafejada por um clima seco, ensolarado e continental, com grande amplitude térmica e solos predominantemente aluviais e pedregosos.


( As principais regiões vitivinícolas da Argentina  )


O projeto, Bodega Aleanna, El Enemigo, nasce, em 2009, pela mão de Adrianna Catena, filha mais nova da Nicolas Catena e Alejandro Vigil, um dos enólogos mais prestigiados do mundo. Alguns dos vinhos mais premiados da Argentina, saídos da casa Catena Zapata, têm a sua assinatura.

Entre belíssimos vinhos que brotam desta parceria o El Enemigo Chenin, é um vinho oriundo de um vinhedo localizado em Los Árbolos, Tunuyán, a 1000m altitude, fermentado em lagares de betão, com levedura indígena e envelhecido em cubas também elas de betão.

No copo, apresenta um tom amarelo palha  pálido. Aroma, fresco e intenso, com notas a fruta branca e um toque floral, num registo a arvores de fruta em flor e um leve tom amendoado. Na boca, mostra-se encorpado mas fresco, com uma boa acidez e uma envolvencia mineral que adorna o seu final longo, persistente, seco e levemente salino. 

Um branco que se destaca pela sua correção e profundidade e tal como se pede com excelente pendor gastronômico. Uma aposta que seguramente não deixará ninguém indiferente! 

 

   Not. 17
   Pvp: 25 € (Ref.) 

quinta-feira, outubro 23, 2025

Villa Oliveira (Vinha Centenária Pai D’Aviz) - 2018


Villa Oliveira (Vinha Centenária Pai D’Aviz) - 2018 
 Tinto / 12,5% Alc.
Dão / Baga, Jaen, Tinta Amarela, Alvarelhão, e outras

Fundada em 1892,  no final do período da filoxera, a Casa da Passarella, encerra em si uma longa história. Pelos altos e baixos da sua existência, eis-nos em 2008, ano da sua aquisição pela família Cabral e da contratação do enólogo Paulo Nunes, como consultor, passados três anos, aceita o convite para assumir, a tempo inteiro, os destinos enológicos do projeto. 
 
Da herança ficaram as vinhas centenárias, plantadas no sopé da Serra da Estrela, o saber dos antigos, e as técnicas de Monsieur Hellis, um enólogo francês, judeu, que por lá se refugiou e que, durante a segunda guerra mundial, com a experiência de outras paragens, se encarregou de aprimorar os vinhos que lá se produziam. Mas também, o legado, de alguns, dos ilustres da enologia portuguesa, que em tempos por lá passaram, como o Dr. Mário Pato e o Eng. Alberto Vilhena, entre outros.

 
( Casa da Passarella e os seus vinhedos) 

 
Mas seria aqui, nestes 60 hectares de vinha, subdivididos em sete distintos vinhedos, na Casa da Passarela,  que a sensibilidade e a mestria do enólogo, Paulo Nunes,  se evidenciariam pela forma como conseguiu interpretar as vinhas, o solo e as gentes do lugar da Casa da Passarella, permitindo-lhe mesmo o reconhecimento de melhor enólogo do ano, em 2017 e 2019.
 
O Villa Oliveira (Vinha Centenária Pai D’Aviz) 2018, é originário de uvas provenientes de uma das principais vinhas centenárias da Casa da Passarella, na qual, desde sempre, se pratica a técnica de mergulhia, permitindo assim, que esta vinha pré-filoxera se perpetue, como uma vinha totalmente plantada em pé franco, o que lhe garante uma melhor preservação do seu legado genético.
Um vinho claramente de abordagem clássica, uma aproximação aos grandes vinhos do Dão de outrora, com vinificação tradicional em lagares de granito e um estágio de 36 meses em grandes toneis de 2500 litros, o que lhe confere um perfil mais elegante, com menos evidencias de notas provenientes da madeira e uma oxidação mais lenta, o que de certa forma lhe ajuda a preservar a identidade.
      
No copo, apresenta um tom rubi aberto. Aroma de intensidade média, fresco com notas a frutos silvestres, amora, framboesa, mirtilos, subtilmente floral, com um toque vegetal, levemente balsâmico e uma ligeira envolvência algo tostada. Na boca, mostra elegância e sofisticação, um enorme equilíbrio, taninos finos e polidos e uma excelente acidez que lhe premeia a finura ao longo de toda a prova,  termina longo e com a elegância e sedosidade que nos brindou ao longo de toda a prova .

    

Apesar de tudo o que, sobre ele, aqui escrevi, considerando essencial para que melhor o possamos entender, concordo que um vinho destes não se explica, bebe-se, devagar e em silencio, deixando que por momentos apenas contemplemos a sua enorme finesse!

     

       Not. 18,5
       Pvp: 54 € (Ref.)

quinta-feira, setembro 18, 2025

Rosacker - Alsace Grand Cru (Riesling) - 2022

 
Rosacker - Alsace Grand Cru (Riesling) 2022 
 Branco / 13% Alc.
França - Alsácia / Riesling

Um fantástico Riesling oriundo da Alsácia, uma região situada a nordeste da França, entre as cidades de Estrasburgo ao norte e Mulhouse ao sul. A oeste, as Montanhas Vosges, separam-na da região da Lorena e a leste, o rio Reno, demarca a sua fronteira com a Alemanha.
  
( Alsácia – França )
 
 
Na sua história a Alsácia, tem sofrido inúmeras alternâncias de soberania, ora é Alemã ora é Francesa, mas desde o fim da 2º Guerra Mundial, assumi "definitivamente" a naturalidade francesa.
 
Julgo que se classificássemos a cultura da Alsácia como um blend, das culturas Alemã e Francesa, resumiríamos de forma sucinta a sua identidade cultural.
Desde logo na sua arquitetura, o traço e cor das suas casas coloridas, estilo enxaimel. Na gastronomia, o chucrute (conserva de repolho fermentado), entre outros pratos típicos alemães coabitam com a boa gastronomia francesa. Na indústria do vinho existe no sistema de denominação de origem e nos seus rótulos um certo pragmatismo alemão, mas se prestarmos alguma atenção podemos observar que, também lá estão, certos requisitos franceses.
 
Os vinhedos da Alsácia estão dispostos ao longo da encosta leste das montanhas de Vosges, uma estreita faixa de 170 km, que se estende do norte de Estrasburgo ao sul de Mulhouse, plantados a uma altitude média que vai dos 200 a 400 metros, nas encostas voltadas a sudoeste, apesar da baixa temperatura em algumas ocasiões, é lhe garantido uma boa exposição solar e uma boa proteção contra os ventos e chuvas de oeste, fatores que estão na base de um clima seco e ensolarado, propicio ao bom amadurecimento das suas uvas. Por sua vez a diversidade geológica dos seus solos, calcário, granito, argila, etc., permitem-lhe uma boa diversidade de terroir's.
   
A região da Alsácia compreende unicamente três sub-regiões vitivinícolas:
Alsace  (AOC), trata-se de uma classificação que apesar de certos requisitos, como determinação castas autorizadas (Riesling, Muscat, Pinot Gris, Gewurztraminer, Sylvaner, Pinot Blanc e a casta tinta Pinot Noir), é muito abrangente e cobre quase a totalidade dos vinhedos, representado cerca de 73% da produção total da Alsácia;
   
Alsace Grand Cru  (AOC), foi criada em 1983, com a demarcação de 25 vinhedos, integrando, mais tarde, mais 25 e mais 1, perfazendo assim os atuais 51 vinhedos demarcados. Esta classificação só se aplica a vinhos brancos produzidos sobre certas parcelas de vinhedos consideradas de qualidade superior, com condições especiais de insolação e outras regras muito rigorosas, podendo-se apenas utilizar quatro variedades de castas  consideradas "nobres", Riesling, Muscat, Pinot Gris et Gewurztraminer. Representando cerca de 4% da produção total da região;
   
Crémant d`Alsaces (AOC), é uma sub-região onde se produz unicamente espumante pelo método tradicional (como em Champagne), com segunda fermentação em garrafa, apesar da casta principal ser a Pinot Blanc, podem ser utilizadas a Pinot Noir, Riesling, Chardonnay, Pinot Gris e Auxerrois. Esta (AOC) representa cerca de 23% da produção total de toda a região. Podemos encontrar aqui alguns dos espumantes mais prestigiados de França.

( Rosacker Grand Cru - Vila de Hunawihr, incluindo a famosa igreja fortificada, com os seus emblemáticos vinhedos)
   
Foi daqui de Rosacker Grand Cru que saiu este Riesling (Rosacker Grand Cru) 2022. Um branco oriundo de um vinhedo plantado, na encosta sudeste dos Vosges, a uma altitude entre os 260m e os 330m, em solos calcários, ricos em minerais com boa retenção de água, tudo isto aliado a um microclima bastante temperado, permitindo a maturação lenta das suas uvas, conferindo-lhe aos vinhos, para além da excelente complexidade e acidez, um grande potencial de envelhecimento. 

Este é um Riesling com a assinatura do enólogo alsaciano Julien Schaal, que contrariando o que seria natural, arranca em 2005 com o seu primeiro projeto pessoal em África do Sul. Um convite irrecusável de um amigo, produtor de referencia sul africano, que lhe ofereceu emprego e cedeu-lhe alguns vinhedos para que pudesse produzir o seu próprio vinho.
Sem nunca abandonar os seu projetos em África do Sul, em 2013, decide terminar com a parceria que tinha na Alsácia, seu país natal, seguir o seu próprio caminho  determinado a focar-se unicamente na produção de vinhos de qualidade superior.
 
Quis o destino, que também em 2013, em África do Sul, conhecesse aquela que viria a ser sua esposa, enóloga Sophie, quando esta estagiava no projeto vitícola de Paul Cluver. A partir de 2021, também ela, passa a produzir os seus próprios vinhos, sul-africanos, com a denominação Sophie Schaal. Atualmente o casal vive, na pequena vila de Hunawihr, na Alsácia.
 
Este, Rosacker Alsace Grand Cru, à semelhança de outros dos seus  Grands Crus, são elaborados a partir de uvas colhidos à mão, dando primazia à sua fermentação espontânea, deixando que o vinho permaneça um pouco sobre borras finas, uma leve batonnage. O foco está claramente direcionado para vinhos que se pautam por acidez vibrante em detrimento de um outro estilo de Riesling de perfil mais adamado.
      
No copo, apresenta um tom amarelo palha levemente pálido, límpido e brilhante. Aroma, fresco e elegante, com notas cítricas a lima, tangerina, alguma maçã, um leve toque a flor de laranjeira, algum chá, tudo em envolto numa mineralidade vincada muito interessante e subtilmente terrosa. Na boca, mostra  frescura, a tensão de uma boa acidez e o ressoar de delicadas notas cítricas, envolvidas por uma mineralidade adornada por subtis notas a silex e a um levíssimo tom salgado que se estende até ao seu perlongado final.

   

Muitas são as vezes que nem damos conta que o nosso tempo apesar de largo é curto, muito curto. Que muitas são as vezes que nos perdemos em escolhas que não nos trazem nada de novo, nem nos levam a lugar algum! É assim com quase todos nós. É humano!

Talvez por isso ou por um rasgo de consciência, tento, pelo menos aqui, usar o meu tempo apenas com vinhos que me transmitam, de alguma forma, algo que valha a pena. Como no caso este Riesling alsaciano, um Riesling de grande nível, que por não ter a fama de alguns dos seus renomados pares, por enquanto, ainda está acessível a um preço muitíssimo razoável para a qualidade deste excelente representante da casta Riesling.

Este é um branco que dado o seu perfil, a sua mineralidade e acidez será excelente para harmonizar com, pratos de carnes frias, peixes magros, mariscos, sushi  e algumas queijos frescos. Se quiser provar um Riesling a sério aqui está!


       Not. 17,5
       Pvp: 25 € (Ref.)