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quarta-feira, 24 de Novembro de 2010

EVS 2010 - Prova especial (Encruzado)

ENCRUZADO – A Casta e o Vinho
Uma Selecção de João Paulo Martins







Introdução:

Esta foi uma das provas especiais integradas no EVS 2010, na qual João Paulo Martins, aborda a casta Encruzado, a principal casta branca, originária e praticamente exclusiva do Dão.

A prova contou com uma boa plateia de interessados, em que dela também faziam parte, enólogos e produtores, alguns dos quais também responsáveis pelos vinhos analisados durante a prova, o que veio a contribuir para a boa dinâmica que se gerou.

A Casta:

O Encruzado, é sem duvida uma casta bastante enigmática, não existem registos da sua existência fora da região do Dão, e por este facto torna-se extremamente difícil proceder ao seu estudo com base na diversidade genética, pois desde logo está inviabilizada a possibilidade da comparabilidade. Mesmo nos nossos dias, tirando um caso ou outro, muito pouco ou nada se fala da sua saída do Dão.

Esta é realmente a casta branca de referência do Dão, mesmo não sendo a mais plantada é a casta desta região que mais se fala. Com bons níveis de produção e bastante equilíbrio em açúcar e acidez, dá origem a vinhos aromáticos de sabor acentuado e uma longevidade fora do comum, podem conservar-se em garrafa durante muitos anos.

A Prova:

Será importante referir que anteriormente a 2000, não existiam variétais de Encruzado, o que existiam eram vinhos maioritariamente feitos a partir desta casta.


Vinhos em prova:


1 - Encruzado 2010 - (amostra de cuba)

Um vinho 100% Encruzado, proveniente das mesmas vinhas da amostra de barrica.

Aqui o essencial foi verificar , o seu aspecto ainda turvo , os seus aromas primários e o seu equilíbrio, sem que se denota-se uma acidez acutilante como por vezes é característico desta casta.


2 - Encruzado 2010 - (amostra de barrica)

Um vinho de aspecto bastante mais límpido, cujos os aromas se mantinha num registo semelhante ao 1º e em que o equilíbrio aqui também se fazia notar.

Um aspecto curioso é o facto da barrica aqui não se fazer notar , esta situação deveu-se de certa forma ao facto das ditas barricas terem sido inicialmente banhadas com água morna o que contribuiu para que madeira não se propague em demasia ao vinho.


3 - Quinta dos Carvalhais 2009

Um vinho 100% Encruzado, que esteve em cubas durante algum tempo, tendo posteriormente transitado para barricas novas.

Aspecto amarelo palha, límpido. Com excelente acidez, levemente encorpado e elegante, detentor de grande pendor gastronómico.


4 - Condessa de Santar 2009 (Encruzado e Arinto)

Um vinho 50% de Encruzado, 25% de Cerceal e 25% de Arinto, com fermentação em barricas novas de carvalho francês ,onde estagiou 6 meses tendo de seguida sido engarrafado onde permaneceu durante mais algum tempo.

Aspecto bastante mais claro do que o Quinta dos Carvalhais, e aromaticamente bastante mais evidente. Contudo na boca é vinho ligeiramente menos interessante, menos encorpado e com uma acidez mais discreta.


5 - Adega de Penalva 2008

Um vinho 100% Encruzado, proveniente da Adega cooperativa de Penalva do castelo.Vinificado em cubas de inox, com temperatura controlada e final de fermentação em barricas de carvalho francês, onde estagiou durante seis meses.

Aspecto amarelo citrino, aroma muito interessante, fresco com notas a vagem desviando-se ligeiramente dos frutados. Na boca bom equilíbrio, estrutura e elegância.Salienta-se pela sua complexidade e potencial de envelhecimento.


6 - Munda 2007

Um vinho 100% Encruzado, proveniente da Quinta do Mondego, Vinificado em cubas de inox com estágio de oito meses em barricas de 500l.

Aspecto amarelo palha, aroma evoluído com nuances a pólvora. Na boca levemente seco e musculado, um vinho com carácter vincado.


7 - Quinta de Saes - 2006

Um vinho de Álvaro de Castro, 80% Encruzado e 20% Cercial, vinhas velhas, fermentou e estagiou em cubas de inox.

Aspecto amarelo fraco, aroma levemente frutado, na boca bom equilíbrio, a acidez complementa a estrutura gorda com que se apresenta.


8 - Quinta de Saes - 2005

Um vinho de Álvaro de Castro, 80% Encruzado e 20% Cercial, fermentou e estagiou em cubas de inox. Até ai tudo igual, com excepção apenas para o ano de colheita , e o que daí poderá advir.

Aspecto límpido e muito pálido, o que poderá indiciar o quanto irá ainda evoluir. Aroma muito interessante onde sobressaem notas a fruta intensa excelentes notas minerais. Na boca o equilíbrio, a finura e acidez muito correcta pautuam todo um conjunto. Um vinho que de certa forma se afasta da tipicidade da região do Dão.


9 - Quinta dos Roques - 2001

Um vinho proveniente da Quinta dos Roques, totalmente fermentado em barricas novas.

Com este vinho demos um salto, passamos para um vinho "velho" com notas resinosas, pinheiro, rebuçado caramelo …, boa acidez.

Trata-se de um vinho com características que não facilitam a sua harmonização com a comida, aqui o melhor será apostar na sua ligação com um queijo.


10 - Porta dos Cavaleiros - 1985

Proveniente das Caves de S. João, elaborado a partir de Encruzado, Bical …

Um vinho cheio de carácter resinas, bem estruturado com boa acidez e frescura nem parece um vinho com 25 anos.

11 - Centro de Estudos de Nelas branco 1971

Um vinho branco elaborado, de uma forma tradicional, a partir de 30 a 40% de Encruzado, Malvisa fina, Cercial …, com 12,5 º de Álcool.

Estamos perante um vinho evoluído portador de notas resinosas, notas florais muito muito subtis, na boca boa estrutura e uma acidez admirável, que nos indicia, que há uns poucos anos atraz esta acidez provavelmente seria bastante mais acutilante, por outro lado está impressionante, temos vinho para mais umas décadas.

(Rui A. Teixeira)

quinta-feira, 18 de Novembro de 2010

CARM - Reserva 2007 no Top 10 da Wine Spectator


Publicado em Maio, no Lugar de Baco com direito a destaque especial  aqui. 





A conceituada revista norte-americana Wine Spectator, analisou mais de 15.800 novos lançamentos ao redor do mundo em provas cegas. Mais de 3.900 destes vinhos ganharam avaliações pendentes ou clássica (90 pontos ou mais na nossa escala de 100 pontos).

Critérios de selecção, quatro: qualidade (representada por pontuação), valor (refletido pelo preço de lançamento), disponibilidade (medido por casos fabricado ou importado), e um fator X que chamamos de emoção.

Na lista deste ano, 14 países estão representados, e a qualidade continua elevada, com uma pontuação média de 93 pontos.

Top 100 de 2010. Neste vasto universo O CARM - Reserva 2007 obteve a 9º posição.

Parabéns à família Reboredo Madeira.

quinta-feira, 11 de Novembro de 2010

Encontro com o Vinho e Sabores 2010




Terminou há poucos dias, a décima primeira edição do Encontro com o Vinho e Sabores 2010, decorreu de 5 a 8 de Novembro como habitualmente no CCL em Lisboa, um dos maiores eventos de vinhos realizados em Portugal.

Ainda no rescaldo do evento, enquanto visitante atento e participante numas poucas provas especiais, irei em traços muito gerais apresentar, um sucinto resumo desta minha visita.

Realmente trata-se de um evento notório, no qual estiveram presentes, entre outros, os principais produtores e enólogos deste país mostrando as suas ultimas novidades. Dada exposição deste evento é obvio que se torna praticamente obrigatório a presença de todos aqueles que realmente pretendam manter ou ganhar alguma relevância no meio vínico Português.

O ambiente estava agradável, reinava a boa disposição, principalmente lá mais para o fim da noite. Vai-se lá perceber porquê !!!

A boa imagem do espaço era notório, a disposição dos expositores contribuíam para a boa empatia entre visitantes e promotores, assim como era visível a salutar camaradagem entre stand's.

Notório, foi também o interesse, algum conhecimento e o civismo do público em geral, o que demonstra claramente a existência de um tipo emergente de consumidor cada vez mais esclarecido e exigente.

Naturalmente existirão sempre aspectos que poderão ser melhorados, também é verdade que irão sempre aparecer, aqueles que acham que muita coisa está mal. Enfim! Todos têm direito a opinião até aqueles que deviam estar calados.

No que concerne às conversas e provas que Lugar de Baco efectuou durante a visita a este santuário de novidades, foram muitas, muitíssimas as conversas e as provas.

Lugar de Baco, enquanto provava conversou com:
Carlos Campolargo
Diga (tinto) 2008 (MBom, 100% Petit Verdo)
Campolargo 2008 (Bom, 100% Pinot Noir)
Tiago Alves de Sousa
Abandonado 2007 (Excelente, muito equilibrado e intenso)
Vinha do Lordelo 2007 (Excelente)


Dirk Niepoort

Batuta 2008 (Excelente)

Charme 2008 (Excelente, cor pouco intensa, denota a nova linha de orientação da casa Niepoort)


José Bento dos Santos

Madrigal 2009 (MBom, 100% Viognier)

Quinta do Monte D'Oiro Reserva 2007 (Excelente)


Jorge Moreira

Poeira 2008 (Excelente)

(…)


Outros vinhos provados:

Chryseia 2007 (Excelente);

Exagon 2007 (Requer permanecer em garrafa por mais um ou dois anos no mínimo);

Quinta do Crasto - Vinhas Velhas 2008 (MBom, muito mais consensual do que o 2007);

Mouchão Reserva 2003 (MBom);

Mouchão Reserva 2005 (MBom);

PLLR - Paulo Laureano e Laura Regueiro 2007 (Excelente);

Herdade de S. Miguel Reserva 2007 (Excelente);

Herdade de S. Miguel Touriga Nacional 2007 (Excelente);

Valado Reserva 2007 ( Bom, Esperava mais);

Valado Touriga Nacional 2007 (MBom);

Solar dos Lobos Grande Escolha 2008 (MBom);

Passadouro Reserva 2008 (Excelente);

CARM Reserva 2008 (MBom);

Brett Edition 2007 (MBom, a curiosidade do nome e da sua história, boa jogada de marketing).

(…)

E muitos muitos outros, que por falta de registo e inoperância de minha memória ficaram presos no meu esquecimento, até que um destes dias ao deparar-me com as suas ditas botelhas, me ressaltem à memória.

Muitos foram também os desencontros, com vinhos e conhecidos destas paragens, o tempo nesta feira de brinquedos, como diria Pingus Vinicus, um conhecido que ainda não conheci, voa e muitas conversas e provas ficaram por ter e fazer.

Terminei esta minha visita, a vaguear calmamente por corredores e expositores do CCL levemente ébrio e com sentimento de dever cumprido, observando com plena satisfação e meio copo de Charme 2008 o final deste excelente evento.

Para o ano lá estarei ...

PS. Posteriormente publicarei os artigos das provas especiais, Encruzado - A casta e o vinho e Os vinhos dos projectos Niepoort.

quinta-feira, 4 de Novembro de 2010

Passadouro - Reserva 2007




Região: Douro
Castas: Vinhas Velhas, Touriga Nacional e Touriga Franca.
Produtor: Quinta do Passadouro
Enólogo: Jorge Serôdio Borges
Tipo: Tinto
Ano: 2007
Álcool: 15,0%






Nota Introdutória:

Quinta do Passadouro, situada em pleno vale do rio Pinhão perto de Vale de Mendiz, uma propriedade de trinta e dois hectares, dos quais a metade de vinhas, situa-se no coração da Região Demarcada do Douro.

A sua origem remonta ao sec. XVIII, sendo das uma das Quintas do Douro referenciadas pelo Barão de Forrester no seu celebre mapa do Douro.

Em 1991 é adquirida pelo holandês Dieter Bohrmann, seu actual proprietário que delega a gestão da quinta em Jorge Borges, o enólogo que tem a responsabilidade de levar a bom porto este projecto.




Daqui saíram alguns dos meus vinhos preferidos, mas como já me aconteceu noutros casos, desencontramo-nos. Por mudanças de rumo? Por inoperância do meu palato? Não sei! Mas nada me deixa mais satisfeito do que reencontrar uma boa pinga que outrora me proporcionou bons momentos e verificar que manteve ou retomou o bom rumo de outros tempos.

O Passadouro Reserva 2007, deixou-me esta boa sensação, não fosse eu um sério apreciador deste terroir e este um dos seus bons embaixadores.

Um vinho, sério para quem gosta vinhos com personalidade marcada, aconselho a sua decantação para que passivamente possa mostrar toda a sua classe e complexidade, bom potencial de envelhecimento.


Notas de Prova:

Aspecto rubi intenso, concentrado e opaco, vislumbra carácter.

Aroma predominantemente especiado, vegetal e fresco, com boas notas fruta preta bem madura e flores secas, algo mentolado e resinoso, balanceado por um leve toque tostado.

Paladar especiado e levemente apimentado, notas a barrica bem integrada. Confere as boas notas a fruta preta bem madura, levemente florar (violeta). Taninos a marcar presença mas sem exagerada rebeldia, final longo e persistente, um registo pujante e complexo numa estrutura bastante elegante.



Nota Pessoal: 17,0 (Prova a 27 de Out.10)
Preço: €29,0 (Ref.)

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