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22 de Outubro de 2010

Bétula 2009



Região: Douro
Castas: Sauvignon Blanc (50%) e Viognier (50%)
Produtor: Catarina Montenegro Santos
Enólogo: Francisco Montenegro
Tipo: Branco
Ano: 2009
Álcool: 13,5%






Nota Introdutória:

Produzido na Quinta do Torgal, situada em  Barrô, em pleno Vale do Douro, Bétula, um vinho que surge pela primeira vez no mercado o ano passado com o seu colheita 2008.

Com uma produção de 3000 garrafas o Bétula 2009 , vem claramente reforçar a qualidade do seu primeira edição e mostrar-nos o auspicioso caminho que certamente lhe estará reservado.

Elaborado a partir das castas, Viognier e Sauvignon Blanc. O Viognier fermentou e estagiou em barricas de carvalho francês , com battonage quinzenal, enquanto por sua vez o Sauvignon Blanc fermentou e estagiou a baixas temperaturas em cubas de inox.

O enólogo, Francisco Montenegro, conhecido por outros méritos, desenvolveu este blend interessantíssimo, apesar do estilo diferir um pouco dos brancos que estamos habituados a encontrar no Douro, a utilização destas duas castas de origem francesa, resultaram numa boa aposta. Embora não espelhem o terroir da região, permitiram, para além de demonstrar uma vez mais a capacidade desta região para a produção de bons vinhos, estamos perante um resultado no mínimo muito interessante, que muito provavelmente terá uma belíssima aceitação junto dos consumidores.

Tive a oportunidade de provar a colheita anterior o Bétula 2008, tratando-se de uma estreia achei-o interessante. O Bétula 2009 por sua vez, surge bastante mais afinado, um vinho que me agradou bastante, para além do mais detentor de um pendor gastronómico igualmente muito interessante.


Notas de Prova:

Aspecto Amarelo citrino com laivos esverdeados, límpido e brilhante.

Aroma intenso e algo persistente, em que predominam as notas vegetais e fruta madura (maça, alperce, melão, …), ponteado por leves notas citrínicas (casca de laranja) e um muito subtil fumado.  envolvido por uma mineralidade que lhe confere frescura.

Paladar algo untuoso e fresco do qual se evidenciam as boas notas a fruta madura predominantes no aroma, assim como as excelentes notas vegetais que pautuam todo um conjunto que balanceia entre uma acidez e mineralidade muito correcta. A subtil barrica transmite-lhe para além do leve tostado uma suave complexidade, termina levemente longo, intenso e persistente.






Nota Pessoal: 16,5 (Prova a 15 de Out.10)
Preço: €12,00 (Ref.)


PS. Prova facultada pelo produtor.

12 de Outubro de 2010

Malhadinha - 2008




Região: Alentejo
Castas: Alicante Boushet, Aragonez, Cabernet Sauvignon, Tinta Miuda e Touriga Nacional.
Enólogo: Luís Duarte e Pedro Garcia
Tipo: Tinto
Ano: 2008
Álcool: 14,5%



Nota Introdutória:

Relativamente à introdução que poderia aqui proferir à cerca deste projecto, já o fiz, quando à cerca de seis meses visitei a Herdade da Malhadinha em Albernoa, e da qual publiquei um artigo em que relatava o essencial deste projecto.

Posto isto, passo a apresentar-vos o Malhadinha 2008! Como de costumo procedi ao ligeiro ritual que antecede as minhas provas (verificar os copos, temperaturas ....), ao dar inicio à degustação propriamente dita, por momentos, transpus a barreira geográfica que me separa da Herdade da Malhadinha Nova, e em poucos segundos revi em minha memória a fantástica herdade de onde proveio.

Esta foi néctar que comigo trouxe, para que calmamente o pudesse degustar e relembrar aquele belo fim de tarde passado naquela Herdade Alentejana.

Estas emoções circunstanciais normalmente interferem na forma como os nossos sentidos interpretam a reais características dos vinhos. Aliás, são muitas as vezes que determinado vinho nos soube divinamente bem mas passado pouco tempo num cenário completamente diferente a sua "qualidade" fica muito à quem das expectativas. Não foi a dita qualidade que se alterou foram os nossos sentidos que se deixaram levar.

È ai que ter alguma experiencia como enófilo conta, aprende-se a relativizar e dentro do possível, abstrairmo-nos de todas estas virtudes circunstanciais.

Não é este o caso, até porque durante a dita visita não provei este Malhadinha 2008, muito sinceramente e como já conhecia a colheita anterior, já esperava mais uma vez, estar perante o ex-líbris desta Herdade, um grande vinho do Alentejano.

O Malhadinha 2008, mostra-se requintado com um estilo moderno sem perder a identidade Alentejana, foi submetido a um estágio de 14 meses em barricas novas de carvalho francês, um blende carregado e complexo que me agradou bastante.


Notas de Prova:


Aspecto rubi intenso algo concentrado e opaco.


Aroma carregado de notas silvestres fruta preta (groselha, amora, cereja preta …), nuances florais, tosta, cacau chocolate preto, leves notas balsâmicas, enfim uma infindável panóplia de aromas que nos embalam num bouquet algo complexo bem afinado e elegante.


Paladar atractivo e sedutor , num perfil complexo, em que as notas a fruta madura e especiadas se conjugam com notas a barrica muito bem integrada num conjunto algo encorpado. Boa acidez, com taninos sedosos e tranquilos e um final longo e persistente, um registo moderno no estilo e na atitude.

 
 



Nota Pessoal: 17,0 (Prova a 9 de Out.10)
Preço: €28,0 (Ref.)

7 de Outubro de 2010

Primeira Paixão - 2009



Região: Madeira
Castas: Verdelho
Produtor: Paixão do Vinho
Enólogo: Rui Reguinga e Francisco Albuquerque
Tipo: Branco
Ano: 2009
Álcool: 12,0%






Nota Introdutória:

Primeira Paixão, um branco VQPRD (Vinho de Qualidade Produzido em Região Demarcada) Madeirense, 100% Verdelho, uma das casta mais emblemáticas deste arquipélago, com grande reputação mesmo a nível internacional, adquirida essencialmente através da sua presença na elaboração dos grandes vinhos generosos Madeirenses.

Esta é seguramente uma das castas mais controversas que existe em Portugal, pelos atropelos e confusões a que tem estado sujeita. Julgo poder afirmar que conheço relativamente bem esta casta, na versão Açoriana (também o verdadeiro Verdelho).

Este foi um projecto criado com base na amizade e experiência dos dois enólogos, Francisco Albuquerque e Rui Reguinga, que a partir de 2 hectares vinhas localizadas no sítio da Vargem, no Estreito de Câmara de Lobos , se propuseram criar um vinho branco de grande qualidade.

Eis a sua segunda edição, Primeira Paixão 2009, do qual foram engarrafadas pela Adega de São Vicente, 4000 garrafas um pouco mais do dobro do que a colheita anterior, o que permitirá alargar um pouco mais o numero de contemplados.

O Primeira Paixão 2009, apresenta-se desde já muito correcto e concentrado, realmente com particularidades inerentes a uma casta que teima em fugir à  modernidade dos novos brancos.Um projecto promissor, um belo vinho.


Notas de Prova:

Aspecto Amarelo citrino intenso e levemente brilhante.

Aroma levemente concentrado com boas notas a fruta tropical madura (ananás, maracujá …), excelentes notas vegetais, e uma frescura harmoniosamente integrada.

Paladar fresco, seco e com uma excelente mineralidade, em que as notas a fruta e vegetais   se conjugam discretamente,  contribuindo para a complexidade de um conjunto levemente encorpado, com um final médio e persistente acompanhado por um leve toque salgado que lhe confere distinção.




Nota Pessoal: 16,5 (Prova a 29 de Set.10)
Preço: €12,00 (Ref.)

PS. Prova facultada pelo produtor (Paixão do Vinho)

5 de Outubro de 2010

Vinha Paz - 2008


Região: Dão
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz e Jaen
Produtor: António Canto Moniz, Lda.
Enólogo: Vines & Wines (Carlos Silva, João Paulo Gouveia e Miguel Oliveira)
Tipo: Tinto
Ano: 2008
Álcool: 14,0%





Nota Introdutória:

O Dão é de facto uma região surpreendente, em tempos, uma das minhas regiões preferidas, se não a minha preferida. Mas por razões que a própria razão desconhece (apesar de se conhecerem algumas) o desalento pelos vinhos desta região foi-se apropriando do meu palato, teimando de tempos a tempos em mostrar como os seus vinhos podem ser surpreendentemente de excepcional qualidade.

Felizmente alguns poucos produtores ainda nos vão permitindo relembrar o quanto esta região é especial com um elevado potencial vitivinícola, permitindo vinhos nobres, complexos e elegantes.

Os vinhos de Vinha Paz, são produzidos e engarrafados por António Canto Moniz, a partir de uvas provenientes de 7,5 hectares de vinha da Quinta das Leiras, propriedade da família há quase 200 anos e 3 hectares da Barra em Silgueiros, ambas situadas na encosta Norte do Dão com exposição sul nascente compostas por vinhas velhas com mais de 40 anos e vinhas novas com 5 anos.
São vinhos de grande tipicidade que paulatinamente têm vindo a evidenciar-se pela sua qualidade que em alguns dos seus reservas se torna mesmo excepcional.

Vinha Paz 2008, um pedaço do Dão que não nos deixa indiferente, este vinho apresenta-se mais uma vez com um perfil típico.
Submetido a um estagio em meias pipas de carvalho francês e americano, apresenta-se com carácter e elegância , é um vinho que agrada, sem sombra de duvida uma boa compra.


Notas de Prova:

Aspecto rubi de concentração opaca e algo viscoso.

Aroma intenso e persistente a mostrar alguma complexidade do qual se destacam notas vegetais , alguma fruta silvestre (groselha, cereja preta …), cacau e um leve balsâmico, tudo muito afinado.

Paladar macio, redondo e afinado, a confirmar as boas notas vegetais, fruta silvestre e um leve toque fresco e balsâmico que pautua toda a prova, num conjunto algo encorpado e elegante, com um final longo e persistente.







Nota Pessoal: 16,5 (Prova a 10 de Set.10)
Preço: €8,40 (Ref.)
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