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domingo, junho 12, 2011

Ponte das Canas - 2007


Região: Alentejo
Castas: Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Touriga Franca
Produtor: Vinhos da Cavaca Dourada Sa
Enólogo: Paulo Laureano
Tipo: Tinto
Ano: 2007
Álcool: 14,5%






Nota Introdutória:

Em 1901 a família Reynolds, adquire a conhecida  Herdade do Mouchão, propriedade  com cerca de 900 hectares, onde a cortiça é a anfitriã, mas logo, numa pequena parcela desta herdade, se plantaram vinhas e se construiu uma tradicional adega. Somente na década de cinquenta, com a expansão da área de vinha, aperfeiçoamento das tecnologias de vinificação se deu inicio à comercialização de vinho engarrafado com cunho próprio, marcando uma nova era para os vinhos da Herdade do Mouchão e até hoje, nesta herdade, se mantem praticamente inalterada a forma como se faz o vinho.

É precisamente deste pedaço Alentejano, que sai este vinho Ponte das Canas, a última das criações desta herdade, um vinho que se fica pela gama média da casa, mas a quem não poupo elogios.

Muitas foram as vezes que o recomendei a amigos e conhecidos, muitas foram as que servi em jantaradas com amigos, um vinho cujo a notoriedade e o reconhecimento da sua qualidade sempre estiveram presentes.

Apesar da comparação entre as colheitas 2006 e 2007, fazer recair a minha preferência pela colheita 2007, na prática, tratando-se de uma escala (0 - 20), os pontos fortes desta, não são para efeitos de calculo suficientemente significativas para a sua diferenciação quantitativa. Por este facto a nota atribuída a ambos acabou por ser idêntica.


Notas de Prova:

Com exuberância e um balancear entre a modernidade e alguma  teimosia em conservar as amarras da tradição!  Não é uma frase feita é efectivamente e em traços gerais a forma como defino  este  Ponte das Canas 2007. Um vinho muito bem desenhado e afinado, o qual não tenho duvida alguma em afirmar que estamos perante um vinho que não deixa ninguém indiferente.

Aspecto rubi algo intenso e  profundo. Aroma expressivo e com alguma complexidade onde predominando as boas notas a fruta silvestre  e um balsâmico já característico, sobressaem ainda leves sugestões a florais, especiarias e uma madeira bastante bem integrada. Paladar bem estruturado, consistente e elegante, ondas se evidenciam notas a groselha preta, amora, cacau, café, pimenta, esteva e uma madeira muito bem casada, onde  firmes e  agradáveis taninos dão suporte a este conjunto detentor de um equilíbrio e uma frescura notável. Termina longo e persistente. 

      





Nota Pessoal: 16,5 (Prova a 18 de Fev.11)
Preço: €17,00 (Ref.)


Outras Colheitas: 2006

quinta-feira, maio 05, 2011

Herdade dos Grous (branco) - Reserva 2009




Região: Alentejo
Castas: Antão Vaz, Verdelho e Viognier
Produtor: Herdade dos Grous
Enólogo: Luís Duarte
Tipo: Branco
Ano: 2009
Álcool: 14,5%


 
 

 

Nota Introdutória:

Ainda da Herdade dos Grous, aqui está este branco reserva, o qual, tenho nestes últimos anos vindo a acompanhar com algum interesse. Um vinho elaborado essencialmente a partir da casta Antão Vaz, com um toque de Verdelho e Viognier.

Estagiou 6 meses em barricas novas de carvalho francês, aliás, a sua juventude conjugada com a coloração dourada e algo evoluída que apresenta, indicia claramente a sua importante passagem pelas barricas.

É submetido a "bâtonnage" sobre borra fina, para os menos entendidos, através do contacto mais activo com a borra, o vinho ganha uma certa sensação de untuosidade, tornando-se mais encorpado e desenvolvendo aromas mais complexos.

Este vinho é engarrafado em Junho de 2010, passado três meses sai para o mercado e ganha o 1ºPrémio (Branco)da Confraria dos Enófilos do Alentejo.


Notas de Prova:

Um branco claramente Alentejano, desde logo apercebemo-nos do peso e da untuosidade deste vinho ao cair no copo, vislumbra qualidade e de tratos cuidadosos. Um vinho para ser bebido novo. Em minha opinião, carece de um pouco mais de acidez o que certamente lhe proporcionaria um pouco mais de frescura, mas enfim, isto é a minha opinião o meu gosto pessoal. Apresenta-se, fácil e com bom potencial gastronómico.

Aspecto dourado algo evoluído, levemente brilhante e denso. Aroma boa expressão, onde sobressaem notas a fruta tropical madura (melão, ananás algum pêssego), nuances a madeira a barrica bem integrada. Paladar desde logo gordo e sedoso a conferir as boas notas a fruta tropical madura e polpa branca, ponteado por levíssimas notas florais e uma tosta abaunilhada muito bem integrada. Acidez media num conjunto que se apresenta equilibrado e guloso.  

 
 
 



Nota Pessoal: 16,0 (Prova a 10 de Fev.11)
Preço: €14,00 (Ref.)

quarta-feira, abril 20, 2011

Herdade dos Grous (tinto) - Reserva 2008




Região: Alentejo
Castas: Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Tinta Miúda
Produtor: Herdade dos Grous
Enólogo: Luís Duarte
Tipo: Tinto
Ano: 2008
Álcool: 14,0%






Nota Introdutória:

Há algum tempo atrás, em terras Alentejanas, tive o privilégio de visitar a belíssima Herdade dos Grous, na qual, e em boa companhia, acabei mesmo por passar um excelente dia.

Adquirida em 1996 por Reinfried Pohl, um empresário alemão com interesses em diversos sectores entre os quais no turismo, cria aqui nesta herdade um pequeno oásis, um projecto integrado do qual fazem parte para além da exploração agrícola (produções hortofrutícolas, azeite, suínos , ovinos, bovinos e cavalos), uma componente turística com a gestão a cargo da Vila Vita Park e ambiental com o vinho como principal protagonista.

Em 2002 com o convite ao enólogo Luís Duarte, na altura como consultor, arrancam com a componente vitivinícola. Actualmente com uma área de 75 hectares de vinha de onde se salientam as castas tintas: Alicante Boushet, Touriga Nacional, Syrah, Tinta Miuda e as brancas: Antão Vaz, Arinto e Roupeiro. Possuem ainda uma moderna adega onde através da tecnologia mais recente se vinificam os excelentes vinhos que aqui se produzem, única e exclusivamente vinhos do segmento Icon e superpremium, brancos e tintos, sem sombra de duvida são já uma referencia incontornável nos vinhos Alentejanos.

Este Herdade dos Grous- Reserva 2008 (T), surge com algumas alterações relativamente às colheitas anteriores, a integração no lote da Tinta Miúda, em substituição do Syrah e um prolongamento do estágio de 12 para 16 meses, em barricas novas de carvalho Francês.

Notas de Prova:

Um vinho de perfil bastante requintado e elegante, mas quanto a mim, padece de um toque de vigor, que lhe afinque o carácter, não se tratasse-se de um Superpremium. Um vinho diga-se de passagem, que apesar de novo está pronto para ser bebido desde já, obviamente em ocasiões e com condições que o dignifiquem.

Aspecto rubi levemente carregado, profundo e acetinado. Aroma sem grande exuberância, diria mesmo tímido, onde sobressaem leves notas a fruta preta madura, nuances balsâmicas e uma barrica bem integrada. Paladar sem sair da estrutura do fino recorte, perde aqui toda a timidez demonstrada no aroma, confere as notas fruta preta madura (cereja preta, framboesa …), sobressai ainda um leve cacau, notas vegetais que lhe conferem alguma frescura. Com uma estrutura pautado pelo equilíbrio, onde a barrica e os finíssimos taninos integram na perfeição este conjunto fino e elegante levemente encorpado, com um final longo e persistente.







Nota Pessoal: 17,0 (Prova a 18 de Fev.11)
Preço: €36,00 (Ref.)

quarta-feira, março 23, 2011

Lusitano - Reserva 2009


Região: Alentejo
Castas: Aragonês, Trincadeira e Castelão
Produtor: Ervideira Soc. Agr. Lda.
Enólogo: Nelson Rolo
Tipo: Tinto
Ano: 2009
Álcool: 13,5%






Nota Introdutória:

A primeira vez que provei este Lusitano - Reserva 2009, um responsável pela marca confrontou-me com a questão, que preço lhe atribuiria? Obviamente não lhe respondi! Apesar conhecer relativamente bem os vinhos da Adega Ervideira e os seus preços de mercado, não quis lhe dar a alegria e a indelicadeza de lhe atribuir um preço de venda similar ao seu Conde D' Ervideira - Reserva.

Num rotulo apelativo, principalmente para os aficionados, como eu, do nosso cavalo Lusitano, esta vinho representa de uma forma simpática a aliança entre a Adega e a Coudelaria Ervideira, enaltecendo desta forma, o que de melhor se produz em Portugal, vinhos e cavalos.

Este Lusitano - Reserva 2009, é mais um vinho concebido sob a direcção do enólogo Nelson Rolo, colocando a marca Lusitano num patamar claramente superior. Aqui as uvas provenientes das castas Aragonês, Trincadeira e Castelão são vinificadas separadamente em cuba de inox, estagiando de seguida quatro meses em barrica de carvalho francês.

Um belíssimo vinho na casa dos 6 euros! Digo mais, na prova cega, que em jeito de tira teima acabei por vir a efectuar, veio a destronar dois vinhos de gamas ditas superiores, Enfim, como todos sabemos as provas cegas por vezes têm destas coisas, os adereços ficam de fora [Gosto].

Por tudo o que aqui referi, considero o Lusitano - Reserva 2009, uma boa compra, um vinho bastante interessante para a gama, contudo, não posso deixar de aqui fazer uma ressalva! Como já anteriormente me prenunciei relativamente a outros vinhos, a falta de informação das castas no contra rótulo penaliza os consumidores mais entusiastas e curiosos.


Notas de Prova:

Um vinho jovem mas bem equilibrado, de perfil claramente Alentejano. Um conjunto que ganha com a fruta e a frescura do momento. Recomendo que seja bebido novo a uma temperatura entre os 13º e 16º.

Aspecto violáceo, algo profundo e boa viscosidade. Aroma intenso e persistente, dominado por notas a fruta madura (groselha, ameixa …), chocolate, insinuações a tosta e uma boa envolvência vegetal ponteada por leves notas florais. Paladar mantem sensivelmente o mesmo registo, apresentando-se levemente encorpado e redondo, onde taninos bem arrumados e uma leve e equilibrada acidez contribuem para a frescura do conjunto, termina levemente longo e persistente.



 
Nota Pessoal: 15,5 (Prova a 10 de Mar.11)
Preço: €6,30 (Ref.)

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Invisível - 2009


Região: Alentejo
Castas: Aragonês
Produtor: Ervideira Soc. Agr. Lda.
Enólogo: Nelson Rolo
Tipo: Branco
Ano: 2009
Álcool: 13,0%






Nota Introdutória:

Nem tudo o que parece é! Brancos feitos a partir de castas tintas? Não sei quantos existem em Portugal, pessoalmente, conheço três e já os provei a todos, Marquês dos Vales, Primeira Selecção 2009 (Castelão), Branco de Tintas 2009 (Alfrocheiro e Trincadeira) e este Invisível - 2009 (Aragonês).

Interessantes similaridades, ausência da cor avermelhada dos tintos, originado por um processo de fermentação cujo mosto não tem qualquer contacto com o elemento responsável pela coloração do vinho, a película da uva. Já em prova, encontrei mais algumas características, não exclusivas, mas que de certa forma lhes foram comuns, vinhos algo encorpados e detentores de uma acidez media/baixa, os últimos dois com uma coloração levemente salmão, não pude deixar de registar estas similaridades.

Invisível - 2009 (Aragonês), um Alentejano proveniente da Adega Ervideira, a produzir vinhos desde 1880, com uma área total de 160ha de vinhedos, dos quais 110ha estão localizados na Vidigueira e 50ha em Reguengos. A administração da Ervideira é assegurada pela família Leal da Costa, descendente directa do Conde de Ervideira, sendo Duarte Leal da Costa o seu director executivo.

Um vinho singular, este Invisível – 2009, é de facto o resultado de alguma criatividade e extravagância! Desde logo estamos perante um "moon harvest" como o próprio termo indica, trata-se de um vinho cuja apanha da uva é feita durante a noite, tendo a prensagem das uvas decorrido na própria vinha, o mosto por sua vez foi transportado em camião frigorífico até à adega, onde por gravidade foi sendo depositado na câmara de frio, permanecendo a decantar durante 24h a baixas temperaturas. Seguindo-se a fermentação à temperatura controlada de 12ºC, durante 15 dias.


Notas de Prova:

Um vinho fácil, despretensioso e agradável, que certamente encontrará um vasto leque de apreciadores. Deverá ser bebido já, muito provavelmente aguentar-se-á em forma, apenas, por mais um par de anos.Recomendo que seja servido entre os 7º e 11º graus, à semelhança dos Rosés adequa-se bastante bem a comida asiática, mas pessoalmente com uma açorda de marisco, a sua harmonização é praticamente perfeita.

Aspecto amarelo fraco, praticamente transparente, com ligeiros laivos rosados. Aroma discreto, onde sobressaem algumas notas florais e fruta branca (melão, pêra, etc.). Paladar confirmam-se as notas a fruta de polpa branca, com uma acidez pouco evidente em que leves notas adocicadas quase se confundem com um leve açúcar residual, o conjunto algo encorpado está equilibrado e agradável termina suave e levemente persistente.






Nota Pessoal: 15,5 (Prova a 15 de Jan.11)
Preço: €8,50 (Ref.)
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