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domingo, abril 25, 2010

Herdade da Malhadinha Nova


Já há muito que era minha intenção, visitar esta Herdade Alentejana, situada em Albernoa no Baixo Alentejo.

Após chegada ao Hotel Vila Galé Clube de Campo, a 25 km de Beja, onde ficamos alojados, pusemo-nos a caminho, passado muito pouco tempo já lá estávamos, ao portão da Herdade da Malhadinha Nova.





Entramos, percorremos um arruamento que nos guiou até à fachada principal de uma casa de típica traça alentejana meticulosamente recuperada, ao contorná-la fomos ter ao largo, onde do lado oposto a esta moradia se estendia um edifício no qual integram a adega e um restaurante gourmet.

Dirigimo-nos então até hall de entrada deste edifício, onde de imediato e muito simpaticamente nos vieram receber.




Enquanto aguardávamos pela guia que nos levaria a conhecer os quatro cantos da herdade, aproveitei para dar uma espreitada às cavalariças e picadeiro. Enquanto trocava dois dedos de conversa com o equitador e responsável técnico pela criação de cavalos da herdade, fui informado que a guia chegara e que me esperava para darmos inicio ao nosso propósito.

Então de jipe, lá fomos nós, à medida que percorríamos este monte rural tipicamente alentejano, fomos de forma bastante detalhada, tomando conhecimento de como surgiu este projecto, quais as suas áreas de incidência e que linhas orientadoras asseguram um futuro que se prevê promissor para este projecto.





Foi em 1998, com a aquisição desta propriedade de 200 hectares, pela família Soares, que este projecto teve o seu inicio.

Deu-se então inicio à recuperação meticulosa desta herdade, primeiramente com a casa da família, que data de 1926, e na a qual ficam alojados, sempre que se deslocam do Algarve, local onde residem a maior parte do ano.

Nesta herdade, apenas existia um olival do qual ainda hoje se produz o excelente azeite da marca “Malhadinha”.

A total inexistência de vinhas na herdade, levou à plantação de 27 hectares de vinha, inicialmente com 20 hectares a produzir a partir de 2003 e um pouco mais tarde mais 7 hectares de vinha nova.

À medida que vamos percorrendo os arruamentos que atravessam as vinhas, podemos observar umas pequenas placas colocadas nos topos das plantações, com a designação da casta ali plantada.

Antão Vaz, Viognier, Verdelho, Petit Manseng, Arinto, Roupeiro e Chardonnay nas castas brancas; Aragonês, Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Trincadeira, Cabernet Sauvignon, Tinta Caiada, Syrah e Alfrocheiro nas tintas. Enfim! Uma panóplia de excelentes castas que permitem aos seus enólogos comporem os belíssimos vinhos que a Herdade da Malhadinha Nova nos oferece.




E assim continuamos, passando pelos pastos onde com toda a calma e serenidade os animais pastavam.

Até que chegamos ao Country House & Spa, unidade hoteleira que só em 2007 vinha a integrar o projecto da Malhadinha Nova, aqui mais uma vez é possível testemunhar o cuidado em integrar elementos de traça tradicional com outros mais modernos, assim como, a localização escolhida para a implementação do hotel e a bela piscina debruçada sobre a paisagem tipica do vinhedo alentejano.




Regressamos então ao local de onde partimos, o edifício da Adega. Ai ficamos a conhecer como se desenrolava todo processo de vinificação dos vinhos da Malhadinha da Nova.

Com o inicio das vindimas normalmente nos finais de Agosto, a apanha é manual e as uvas transportadas até à adega em pequenas caixas de 12 kg, onde são novamente selecionadas e submetidas ao processo de vinificação por gravidade, evitando assim a remontagem, processo que por vezes danifica a uva.

Todo este processo é superiormente orientado por Luís Duarte, o enólogo consultor e o mentor das grandes opções enológicas que aqui se tomam, com colaboração de Pedro Garcia, o enólogo residente, o controlo de todo este processo é meticulosamente assegurado.




O vinho que daqui sai vai para cave, onde à temperatura e humidade adequada é submetido a um estágio em barricas de carvalho Francês e Russo, utilizadas até ao segundo ano, sendo dada, como é óbvio, a primazia das pipas novas aos vinhos de topo que aqui se produzem.


Para terminar, passamos então ao restaurante, onde por opção nossa, decidimos efectuar as provas e alargarmo-nos na degustação ao longo de um excelente jantar.




Já a horas que convidavam, demos início ao jantar, por sugestão do Chefe começamos com deliciosas entradas, tiborno de tomate, queijo de ovelhas gratinado com orégãos e pequenos pedaços de variados enchidos de porco preto alentejano. Em seguida foi-nos apresentado cremosos de couve flor e pinhões com lascas de presunto pata negra, um saborosíssimo prato de Lombo de atum, corado na chapa, com batata doce e aipo.

Por fim e para terminarmos em doçura trouxeram-nos umas trufas surpresa de cacau, chocolate e mais qualquer coisa, estavam divinais.
Escusado será dizer que tudo isto foi divinamente acompanhado com alguns dos excelentes vinhos que esta herdade produz, tais como :

Monte da Peceguinha (branco) - 2008
Castas: Antão Vaz, Roupeiro e Verdelho
Aspecto amarelo palha
Aroma boas notas a fruta fresca meloa, pêra, pêssego e leves noances vegetais.
Paladar apresenta-se equilibrado, a manter as boas notas a fruta, as notas vegetais e minerais, boa acidez e equilibro.
Nota: 15,5

Antão Vaz (branco) - 2008
Aspecto amarelo palha.
Aroma alguma intensidadea fruta fresca meloa, pêssego,abacaxi e ananás e algo mineral.
Paladar apresenta-se equilibrado, encorpado com muito boa acidez, mantêm-se as notas frutadas, fim de boca elegante e persistente.
Nota: 16,5

Aragonês da Peceguinha (tinto) - 2007
Aspecto ruby com reflexos violáceos.
Aroma notas a fruta, cereja e ameixa preta, leves nuances a tabaco adocicado.
Paladar na boca apresenta-se vigoroso mas bastante equilibrado, com boas notas a fruta. alguma canela e um agradavel fim de boca tostado e bastante longo.
Nota: 17,0

Pequeno João (tinto) - 2007
Castas: Syra e Cabernet Sauvignon
Aspecto ruby intenso e levemente brilhante.
Aroma a fruta vermelha, e fundo mineral.

Paladar boas notas a fruta negra algum pimento, um leve tostado, taninos bem integrados num equilibrio que se estende em toda a prova e termina com um fim de boca longo e persistente.
Nota: 16,5

O Malhadinha (Reserva - 2007) - Este veio comigo em mão, apresentá-lo-ei individualmente numa outra ocasião.




O tempo, este foi muito, muito bem passado. Apesar de só termos terminado de jantar por volta da uma e meia da manhã, senti que foi pouco, e quando assim é… Bom! Só nos resta cá voltar!

Aqui ficam os nossos mais sinceros elogios a toda esta jovem equipa, que de uma forma profissional e muito, muito simpática, nos acolheu e nos inteirou deste excelente projecto que muito contribui para o bom nome do Enoturismo em Portugal.

Herdade da Malhadinha Nova
7800-601 Albernoa - Beja Portugal
Telf. +351 284 965 210 - Fax. +351 284 965 211
E-mail: reservas@malhadinhanova.pt
URL:
www.malhadinhanova.pt

quarta-feira, abril 07, 2010

Semana de Enoturismo



 






De 28 de Março a 4 de Abril, o Lugar de Baco partiu em trabalho, foi fazer enoturismo. Excelente semana, muito bem passada, na companhia da família, entre quintas e herdades, visitando vinhas e adegas, provando e bebendo os excelentes vinhos que se fazem por este Portugal fora. Enfim! Foi duro!!!
Do Alentejo ao Douro, da Herdade da Malhadinha Nova e Herdade dos Grous à Quinta do Portal e Quinta de La Rosa, foi tempo para retemperar forças, e conhecer pessoalmente os projectos e as vinhas de onde provêem alguns dos vinhos que aqui apresento.
Esta será a temática dos meus próximos artigos, sem grande preocupação em relatar todos os detalhes destas minhas visitas, apenas pretendo deixar aqui no Lugar de Baco o essencial destes excelentes projectos.

quinta-feira, março 25, 2010

Quinta do Todão - Reserva 2007



Região: Douro
Castas: Várias
Produtor: Sociedade Agrícola da Quinta do Todão Lda.
Tipo: Tinto
Ano: 2007
Álcool: 15,0%









Nota Introdutória:

Mais um vinho proveniente do Douro, mais propriamente de Gouvinhas onde fica situada a Quinta do Todão.

Esta Quinta actualmente explorada pela Quinta do Crasto chama si, através dos seu técnicos, a responsabilidade de todo o processo de enologia e viticultura que aí se realiza.

Feito a partir de vinhas velhas (com mais de 25 anos) de castas autóctones o Quinta do Todão - Reserva 2007, deixa transparecer a identidade de mais um excelente vinho duriense, em que a fruta preta e fina, e o aroma florar da Touriga Nacional se combinada com a madeira de carvalho francês onde durante 16 meses estagiou.

Notas de Prova:

Aspecto violáceo bastante concentrado. Aroma expressivo, apresentando notas a fruta silvestre (cereja, amora, framboesa …), madeira, algumas notas tostadas, e nuances a chocolate preto. Paladar elegante, com boas notas a fruta madura (cereja, amora framboesa …), madeira quanto basta e uma frescura que confere uma boa harmonia ao conjunto, ligeiramente encorpado, taninos bem integrados, fim de boca de média persistência.







Nota Pessoal: 16,0 (Prova a 18 de Fev.10)
Preço: €11,00 (Ref.)


quinta-feira, março 18, 2010

Quanta Terra - Grande Reserva 2007


Região: Douro
Castas: Touriga Nacional (65%), Tinta Barroca (18%), Touriga Franca (15%)e Sousão (2%)
Produtor: Quanta Terra, Soc. do Vinho Lda.
Tipo: Tinto
Ano: 2007

Álcool: 14,5%







Nota Introdutória:

Este é um projecto que teve o seu início à cerca de dez anos, com os enólogos Celso Pereira e Jorge Alves.

A Quanta Terra, enquanto empresa produtora apresenta a particularidade de não possuir vinhas nem adega própria. A filosofia é “simples”, criar vinhos que se diferenciem, através da combinação de boas uvas oriundas dos diferentes terroirs do Douro.

É da Quinta do Tralhão, que provêm a maior parte das uvas que dão origem aos vinhos, Quanta Terra e Terra a Terra. As uvas aqui colhidas, são vinificadas em Alijó, zona onde está situada a adega em que estes dois enólogos ano após ano, sem falhar colheita, criam e compõem estes belíssimos vinhos.

Este, Quanta Terra – Grande Reserva 2007, é um vinho bastante interessante, robusto e seco muito a meu gosto. No entanto, e em minha opinião, este vinho poderá com o tempo evoluir ainda mais, perdendo alguma da timidez aromática que ainda apresenta e permitindo aos seus taninos, apesar de bastante bem integrados, tornarem-se ligeiramente mais macios.

Vale a pena dispensar alguma atenção a este vinho, beba-o já e se possível guarde algumas garrafas para mais tarde.


Notas de Prova:

Aspecto violáceo bastante concentrado intenso, chegando mesmo a apresentar uma certa opacidade. Aroma ainda um pouco fechado, deixando escapar algumas notas tostadas, madeira, alguma fruta preta, chocolate preto, complementado com boas notas vegetais e especiarias. Paladar a revelar-se intenso e seco, com boas notas balsâmicas e vegetais, barrica e alguma fruta preta, encorpado, taninos que evidenciam ainda necessidade de mais algum tempo, fim de boca longo e persistente.






Nota Pessoal: 16,5(Prova a 11 de Fev.10)
(Preço: €17,00 (Ref.)

quinta-feira, março 04, 2010

Poliphonia - Reserva 2007



Região: Alentejo
Castas: Trincadeira, Aragonez, Cabernet Sauvignon, Syrah e Alicante Bouschet.
Produtor: Granacer S.A.

Tipo: Tinto
Ano: 2007
Álcool: 14,0%







Nota Introdutória:

Este projecto tem a assinatura do empresário Henrique Granadeiro, e a orientação do Enólogo Pedro Baptista, conta com cerca de 120 hectares de vinha, localizada em Reguengos de Monsaraz. Toda a vinificação é efectuada na adega do Monte dos Perdigões, equipada com o que de melhor existe, incluindo um sem-número de lagares de mármore com pisa robotizada. Entre os vinhos produzidos nesta adega temos, o Tapada do Barão tinto (colheita e colheita seleccionada), branco e rosé, o Poliphonia Reserva, e nos melhores anos, em quantidades limitadas, será produzido também Poliphonia Signature Tinto. O nome Poliphonia surge como homenagem a Luís de Freitas Branco um dos mais conhecidos compositores portugueses de sempre, pelo facto deste ter residido neste monte, e aqui composto muitas das suas obras.

Este Poliphonia Reserva – 2007, apesar de não ser de grandes exuberâncias, é um vinho, que se apresenta com um bom equilíbrio e alguma elegância, é um vinho consensual e para ser bebido já.


Notas de Prova:

Esta foi uma prova, a par de outras tantas, movida pela simples curiosidade, de um nome, um rótulo, uma região ou um enólogo conhecido por outras andanças. Valeu bem a pena! Pena é, que inúmeras são as vezes que não vale!

Aspecto ruby intenso com reflexos levemente mais escuros. Aroma intensidade média, leves notas a fruta vermelha, uma leve doçura a lembrar baunilha, alguma madeira, combinada com um suave toque balsâmico. Paladar um sabor a fruta que balanceia com a doçura da baunilha, com um leve tostado e uma madeira evidente mas arrumada, apresenta um corpo médio de certa forma ajustado, taninos fáceis e um final medianamente persistente.






Nota Pessoal: 16,0 (Prova a 10 de Fev.10)
Preço: €13,0 (Ref.)

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